Comércio interno cria autonomia a condomínios.

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Comércio interno cria autonomia a condomínios.

Parece um projeto futurista para construtoras e um sonho para muitas pessoas que pensam em adquirir uma residência dentro da segurança dos muros e do conforto em ter uma série de serviços e produtos, sem que haja a necessidade de sair de dentro do condomínio para resolver pendências e até para trabalhar.

Mas em tempos de home office esta realidade já não está distante e cada vez mais crescem o comércio e os serviços oferecidos dentro de condomínios em Jundiaí.

Os bairros parcialmente cercados e verticalizados deixam à disposição dos moradores quase tudo o que precisam.

Estas comodidades vêm de fora, como eventos montados nestes espaços e também podem vir de dentro, no caso de moradores que são empreendedores e comercializam produtos e serviços dentro do próprio condomínio.

Para o status de bairro, nada mais justo do que ter uma tradicionalidade, a feira. Isaac Batista tem uma empresa de gestão condominial e administra três condomínios em Jundiaí. Ele comenta sobre a feira em um deles. “É uma feira de bairro.

Temos uma empresa organizadora. São comercializadas, frutas, legumes, queijos, milho, pastel, lanches. A procura é grande. Como ficamos preocupados com a covid-19, a feira ficou suspensa por dois meses. Durante esse período a feira continuou, mas em formato de delivery. Os moradores efetuavam a compra e a equipe da feira fazia a entrega.

Agora com a flexibilização, decidimos retornar”, diz ele, enfatizando que haverá uma série de ajustes para que a feira funcione com segurança.

Fábio Henrique Bazzo Ferreira também é síndico em três condomínios e presta assessoria jurídica a outros oito. Ele comenta que a feira em um dos condomínios que administra foi uma das primeiras em Jundiaí.

“Com o decreto de quarentena tivemos que fazer umas adaptações para evitar aglomerações. Nas primeiras semanas teve uma procura maior por parte dos moradores até porque pouco se sabia como ficaria o dia a dia.

Podemos dizer que atualmente a procura é satisfatória para os feirantes”, diz ele sobre a compensação tanto para os moradores quanto para os comerciantes.

“Recebemos com frequência contatos de diversas operações para trazer aos condomínios e toda vez que buscamos algo específico já temos pessoas parceiras que disponibilizam as operações para o atendimento da necessidade.”

Fábio ainda conta que há variedade de alimentos oferecidos além da feira. “No condomínio era realizado ao menos um happy hour por mês e também mensalmente tínhamos frango assado e massas no domingo.

Outro comércio de grande apoio aos moradores é a van de carnes que vem toda sexta feira e aos sábados alternados temos venda de espetinhos congelados.

Portanto, tínhamos uma programação preestabelecida praticamente o mês todo.”

“A comodidade é muito grande pois todos os benefícios estão ‘no quintal de casa’ e, além da comodidade, há aquele bate-papo agradável com o vizinho e a descontração de sair de casa”, conta ele sobre a comodidade e a convivência nos bairros murados.

Vendas que se reiventam na crise

Glória Almeida é sub-síndica de um condomínio em Jundiaí e também tem um bufê, parado nestes dias por conta do cancelamento de eventos.

Ela elaborou um catálogo (tipo vendas diretas) há cerca de quatro anos para que empreendedores do condomínio onde mora pudessem divulgar os produtos e serviços que oferecem.

A ideia deu tão certo que o catálogo já está na 5ª edição, incluindo uma edição extra neste ano por conta da pandemia.

Além disto, há mais dois condomínios administrados pelo síndico do condomínio dela que também aderiram à ideia de Glória e hoje têm catálogos divulgando os empreendimentos de moradores.

“Neste ano tiveram duas edições por causa da pandemia, porque o pessoal começou a se reinventar. E eu vejo pelo retorno, pessoas me procuram para agradecer por terem clientes graças ao catálogo.

Tem até uma moradora que está desempregada por causa da pandemia e está sobrevivendo com as vendas que faz pelo catálogo”, diz Glória sobre a precisão de fazer outra edição que atendesse aos novos negócios que surgiram neste período.

“Uma manicure do condomínio está vendendo salgados agora e ganha mais assim do que como manicure”, diz ela sobre as adaptações.

Glória diz ainda que dentro do condomínio havia uma feira já tradicional, mas está suspensa para evitar aglomerações neste período. “As pessoas estão se reinventando.

Tem morador que comercializa ovos e frutas, tem morador que é feirante e está vendendo, mesmo com a feira suspensa.

A feira está parada desde o início da pandemia e deve ser a última coisa a retornar”, diz Glória, referindo-se à prevenção de aglomerações.

Já seu negócio próprio, o bufê, também passou por mudanças para que houvesse faturamento. “Eu monto um jantar e entrego para as pessoas no condomínio. Já tenho encomendas para o Dia dos Namorados.”

Sobre a sobrevivência dentro dos muros do condomínio, Glória conta que onde mora são quase 4 mil moradores, sete torres com 120 apartamentos cada e, para tal estrutura, que representa facilmente um bairro, uma mini cidade se forma para atender as necessidades dos moradores, ainda mais em tempos de isolamento social.

“Acho que neste momento, que estão impossibilitados de sair, isso está mais forte. É grupo de WhatsApp, campainha e interfone, então até barateia, porque não tem deslocamento, não tem custo com propaganda”, fala ela.

Reginaldo Pissaia também tem uma empresa que fornece produtos de limpeza a diversos condomínios, entre outros estabelecimentos comerciais.

No entanto, a procura diminuiu nos últimos meses. “Antes eu vendia para CNPJ, pediam geralmente desinfetante, detergente, hoje pedem mais álcool em gel, dispensers para colocar o produto.”

Agora, porém, além da diminuição na procura, já que, segundo Pissaia, áreas comuns dos condomínios, que exigiam limpeza mais regular estão fechadas, como salão de festas e playgrounds, além de escolas, que adquiriam seus produtos.

Mas há o ditado que diz “para cada janela fechada, abre-se uma porta”, e foi o que aconteceu com Reginaldo.

“Os condomínios divulgaram e os moradores passaram a procurar os meus produtos, principalmente tapetes de desinfecção, que ficaram esgotados no estoque, produtos desinfetantes, como álcool.

Consegui aumentar minhas vendas para pessoas físicas”, conta ele, sobre a procura de quem evita sair de casa neste momento.

Apesar da boa balanceada num período de iminente queda no faturamento de muitas empresas, Pissaia diz que o fornecimento no atacado era menos trabalhoso. “Nós estávamos mais preparados para atender condomínios.

As pessoas não compram em galões como as empresas e em apartamento nem tem como armazenar muito, porque são espaços pequenos.

São produtos que eu vendia para menos pessoas e agora são mais pessoas, mas em menor quantidade, então eu também preciso fazer mais entregas”, relata ele.

Isaac, assim como Glória, executou a ideia dos catálogos, que, segundo ele, foi sucesso.

“Iniciamos esse projeto em um dos condomínios em maio, uma vez que visualizamos problemas com inadimplência e vimos uma oportunidade de valorizar os empreendedores locais.

A aceitação dos moradores foi fantástica, com vários depoimentos positivos. No outro condomínio que administro, na crise de 2016, com inadimplência alta, as taxas de condomínio foram pagas por mulheres empreendedoras”, comenta.

Fonte:Jornal de Jundía
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