A evolução da tecnologia e o papel do advogado do futuro

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A disrupção na profissão deve servir para o advogado adquirir novos conhecimentos em tecnologia da informação, bem como desenvolver habilidades de gestão e interpretação de dados para que a inteligência artificial venha apoiar a produção jurídica, gerando ao advogado mais tempo para oferecer um tratamento mais humanizado e com foco nos clientes cada vez mais exigentes.

Atualmente os escritórios de advocacia se preocupam demasiadamente com a técnica das peças processuais, buscando tecnologias que tragam fundamento às teses jurídicas que defendem.

Por essa razão, utilizam ferramentas de buscas integradas com as jurisprudências dos tribunais, doutrinas, bibliotecas digitais, legislações, pareceres, consultas, artigos etc.

Aprimorando esta relação com a tecnologia, uma start up canadense criou o ROSS, o “robô advogado”, parecido com a tecnologia do já conhecido Watson da IBM, que tem a mesma capacidade para processar em um segundo 500 gigabytes, equivalente a um milhão de livros, rastreando 10 mil páginas por segundo (PROJURIS, 2017).

O ROSS foi adquirido em 2017, sendo contratado pelo escritório de advocacia norte-americano Baker Hostler e Pierce Bainbridge como colega “sabe-tudo”, funcionando da seguinte maneira: O advogado faz pergunta em linguagem natural e o robô traz resultados compilados de forma mais inteligível que outros softwares (ÉPOCA, 2019). ROSS consegue realizar também pequenas tarefas, como alertar os advogados de alterações recentes em legislações, doutrinas ou jurisprudências relacionadas a casos que estejam trabalhando (CONJUR, 2016).

Seguindo esta tendência, também com base nos serviços da IBM, foi criada a tecnologia denominada Lex Machina, que consegue “prever o futuro” da demanda cruzando informações contidas em decisões judiciais já proferidas e comparar a um novo caso. Assim, juiz e promotor são analisados, visando prever o comportamento típico diante de situações similares, para indicar com precisão matemática as chances de êxito do processo no judiciário (VEJA, 2017).

 

 

Apesar do avanço tecnológico no mundo jurídico, a forma de advogar não mudou muito ao longo do tempo, o advogado continua precisando atender o cliente para entender o caso em consulta, estudar solução em seu gabinete, redigir peça fundamentada e assim por diante.

Por isso, podemos supor que a advocacia em breve deve sofrer uma disrupção, não apenas por conta das inovações tecnológicas, mas pelo modus operandi do profissional que há décadas permaneceu o mesmo, obrigando que o profissional atuante nesta área se reinvente para se manter num mercado cada vez mais competitivo.

Em que pese já existir o “advogado-robô” ROSS, a prática de atender o cliente, explanar casos, gerir suas expectativas, projetos e sonhos dificilmente deixará de ser atribuição da pessoa do advogado que está ali para escutar o cliente e propor soluções.

Por isso, essas e outras tecnologias devem ajudar no apoio do exercício da profissão, tirando do advogado encargos, principalmente de natureza administrativa, mas ele não deixará de existir como já cogitam amplamente na internet.

Obviamente o efetivo deve diminuir, mas a profissão deve continuar existindo, porque os homens vivem em sociedade, dependem uns dos outros e precisam de tratamento pessoal, ainda mais numa sociedade cada vez mais individualista.

Portanto, a disrupção na profissão deve servir para o advogado adquirir novos conhecimentos em tecnologia da informação, bem como desenvolver habilidades de gestão e interpretação de dados para que a inteligência artificial venha apoiar a produção jurídica, gerando ao advogado mais tempo para oferecer um tratamento mais humanizado e com foco nos clientes cada vez mais exigentes.

 

 

*Maria Thereza dos Santos Pereira é advogada, especialista em Gestão de Negócios pelo Insper e líder da Controladoria Jurídica de escritório de advocacia estabelecido em Marília e São Paulo/SP, militante no ramo empresarial, tributário, societário e trabalhista.

 

Fonte: THN1

 

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